Grupo cria instrumento musical digital

Chips, placas, sensores, microcontroladores, linguagem de programação… Normalmente, esses itens não compõem a matéria-prima de instrumentos musicais. Mas o pessoal do BateBit Artesania Digital (batebit.cc) não quer nem saber de cordas, madeira e captadores de som – eles querem mesmo é fazer música com tecnologia digital.

O projeto é fruto da pesquisa Diálogos entre a Lutheria Digital e a música popular pernambucana, realizada com o incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) pelos pesquisadores Filipe Calegario, Jerônimo Barbosa e João Tragtenberg. A ideia é produzir três instrumentos musicais digitais até o final do ano.

 

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Calegario (E) e Tragtenberg levaram experimento ao Nascedouro de Peixinhos

Sérgio Bernardo/JC Imagem

 

“Nosso histórico vem desde a academia, onde sentíamos que existia uma barreira entre o que era estudado e experimentado na universidade e o que o povo realmente usava nas ruas”, explica Calegario, que é estudante de doutorado do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE). Para fazer essa ponte, os pesquisadores realizaram entrevistas com músicos e artistas pernambucanos e iniciaram um processo de experimentação e prototipagem a partir desses relatos.

“O foco é no instrumento digital, não trabalhamos com a parte analógica do sinal sonoro. O instrumento não gera a nota, quem faz isso é a programação que usamos para manipular o som”, conta Calegario. O grupo promoveu na última semana um curso de Experimentação e Criação de Instrumentos Musicais Digitais, no Centro Tecnológico da Cultura Digital, no Nascedouro de Peixinhos. No workshop, a principal ferramenta foi a plataforma eletrônica Arduino. “Como o som gerado é digital, temos uma liberdade maior para experimentar. Da mesma forma que utilizamos o Arduino, outros instrumentos que criamos usam o sensor Kinect ou o controle de movimento do Nintendo Wii”, lembra Tragtenberg.

À primeira vista, o som gerado pelos instrumentos pode não parecer o melhor. A impressão que se tem é que está sendo executada uma sinfonia de jogos de videogame antigos. Mas para os pesquisadores, isso não importa. “No instrumento digital, existe uma dissociação entre a entrada e a saída. O resultado não depende do tipo de madeira ou de corda utilizada, e sim da programação. Esse som mais quadrado serve para testarmos, com o instrumento finalizado é só trocar para um som mais encorpado”, afirma Calegario.

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